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Sweet Vintage

Deixa todo mundo ir embora
não quero ver ninguém
fecha essa porta
tenho tudo o que preciso aqui dentro
vinho, filmes baratos, uma dose de canção
e uma foto antiga de meus pais no interior

Deixa tudo passar, as notícias, os postais
deixa a vida ficar por conta
Hoje vou me permitir inventar
um lugar mais bonito pra morar
até o dia terminar
uma cabana, um sofá
um país dentro do quarto
Sei que embaixo dos lençóis
há um mundo todo meu

Chega de tristeza, de estimas destroçadas
chega de mentira e de TV
Há mel e veneno em cada poesia
deixa o mundo de lado um tanto
fica por cima da carne seca
há muito o que se aprender com o silêncio

Ithalo Furtado

Depois de tudo

Depois de tudo
Vou regar meu pequeno mundo de carinho
Depois de tudo
Não vou mais planejar os próximos passos
Depois de tudo
Vou cuidar da poeira, dar descanso ao coração

Só se sabe que foi perfeito
depois da perfeição

Depois de tudo
Café, conhaque ou qualquer vício da distinção
Depois de tudo
Sobrou a música como mãe de toda contemplação
Depois de tudo
Vou respirar novos ares nos lugares que sempre vou

E eu sempre vôo…

Eu tenho a saudade mais bonita
A lembrança mais fiel
E olha que você nem me fazia bem
Eu tenho tatuado em minha boca
A promessa que os teus olhos me fizeram
E olha que você mal me fazia bem

Depois de tudo
Eu sou manjá, veneno, Luiz Gonzaga e John Lennon
Eu sou bem mais
Depois que o mundo
Se tornou um romance de opostos
E o mal por vezes, triunfou

Ithalo Furtado

Corações alheios

Não acorde daquele sonho lindo
por favor, mantenha ele vivo
mesmo de olhos abertos
mesmo certa de que nada aconteceu

Hoje é dia para abrir a janela e suspirar
pegar o carro, colocar Radiohead pra tocar
e rodar a noite inteira sozinha
Quem sabe eu fixe um plano de fuga só pra nós

Peça a bênção pra lua
peça a seus problemas um tempo
É preciso juntar os pedaços
a cicatriz foi profunda, eu te entendo

Assim como é necessário chorar
sem ouvir os corações alheios
Lágrimas te fazem tão bem
E há tanta gente ao teu redor com medo

A lua, o carro, a praia e nós dois a sós
Só pra nós
O mundo é nosso quando a luz se apaga e se desatam nós
Só pra nós
A vida se clama nos corpos quando o beijo anula a voz

Ithalo Furtado

Outro mar, novas ondas

Sinto falta das pessoas que não gostam de mim, essa é minha saudade mais verdadeira.

Sinto a dor das pessoas que não conheço, essa é minha compaixão mais verdadeira.

Sinto alegria quando recebo um sorriso, esse é meu retorno mais verdadeiro.

E quando te vejo? Eu sinto medo. E quando eu não te vejo?  Eu sinto mais medo ainda, pois esse é meu silencio mais verdadeiro.

Essa vontade deixou de ser saudade, e o calor cresceu meu frio. E tua presença trouxe o medo, que hoje aflora meu desapego. E o que era flor virou um bicho, mais esqueleto que andar.

É o sol vindo mais forte, fazendo aquele amor(dor) secar. Agora posso me embrulhar e ver meu peito descansar, na minha alma renovada e minha armadura mais listrada.

Se é o fim então porvir caminharei a outro mar para as novas ondas me trazerem um outro alguém para amar.

@Digi_Nanda

Pedido

Afaste-se, momento
Você e seu sussurro amador
Não há nada que compense
Nem que dissolve tanta dor

Cale-se, tormento
Você e seu assunto
E vá embora levando todo imundo desabor
Quero ficar com a esperança
Dançando com a fé debaixo de chuva
Lembrar da curva que o sorriso dela faz
E depois ir embora, despejando no acaso o que me torna paz

por @DeibeViana

Conta-gotas

E quando não há vida?
E quando a vida é uma prisão?
Quando o sorriso é teatro
E os atores são raros
Acaso e predestinação

E quando não há poesia?
E quando é lasciva enquanto canção?
Quando a lágrima dança
Nas maçãs do teu rosto
Exposto ao escudo e a munição

Olhar pra tua fotografia
É ser o Cristo mal quisto
O rei mal vestido
O pior dos ladrões

Meu coração não suporta
A sombra do porta-retrato
E o sol dos teus porões

Quando eu te encontrei naquela rua
Todo vestido de orgulho
Quase fui humilhar teu perdão

Mas, imune, voltei pra casa
Nua, tonta e ferida
E um conta-gotas de vida nas mãos

Ithalo Furtado

Âmago

Na tua boca eu pus meu âmago
E mesmo assim, enverguei-me de paixão
Pelo cheiro da música, pelo toque do poema
E pela textura da canção
Que a tua alma sempre canta

Nesse teatro, meu papel final
É do bandido que não cede à prisão
Cada pedaço de céu me lembra
Teu falso beijo naquela cena

Se vieres pra qualquer loucura minha
Não vista a tua armadura de razão
Pois, esta é pedra, e meu sopro é veneno
Para as flores já mortas do teu verão

Nesse teatro, meu papel final
É do bandido que não cede à prisão
Cada pedaço de céu me lembra
Teu falso beijo naquela cena

Por mais que tu ames o meu signo
Somos carinhos que também ferem por medo
Todo homem é seu próprio Deus da mentira
E a minha vida foi roteiro pra um espetáculo de exageros

. Ithalo Furtado