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Doce Juventude

Solidão é um cais baldio
repleto de vãos navios sem tripulação
Diário de bordo: “Perdemos sonhos pelo caminho…”
Mas, não faltou coração

Solidão é uma armadilha
do peito ferido, dos apartamentos
Querido Diário: “Eu bem que tentei sorrir…”
Mesmo que sorrisos pequenos

Quando me olhou pela terceira vez
vi que eu era feito de nuvens
Cai em tentação e tentei mais uma vez
Só que dessa vez, faltou coração
Você sobrou, eu calei
Que se dane os heróis, eu sou fora-da-lei

Solidão é preguiça dos braços
injustiça dos sapos com a lua
Jesus, por favor, faz do luar o meu lar
me faz ébrio palhaço das tolices de amar

Solidão é um mantra diário
de quem um dia foi escudo de lã
É que Vinícius me diz tanta coisa
que qualquer outra me parece vã

Quando me olhou por cima do Ray-Ban
em plena Orla de Atalaia
Que doce juventude Deus te deu, menina
Só que dessa vez, era um samba-canção
naquela tarde RocknRoll que passei
Mas, que se dane os heróis, eu sou fora-da-lei

Ithalo Furtado

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Cais

Vem de vez em quando pra lembrar
que é contigo que vou navegar, navegar
Vem e de quando em quando seja meu mar
que esse é revolto e eu vou aportar, aportar

É difícil saber que a gente ancorou e eu não sei mais
hoje o que é barco e o que é cais
É difícil saber que o mundo ancorou e eu não sei mais
hoje o que é mundo e o que é cais

Vem, com o que tanto sonhas, Maria, com o quê?
Se é comigo que os teus sonhos são pétalas que doem
Vem, que a ilha é logo ali
pra te ver acordar sem manhã e adormecer com a lua bem longe do céu

É difícil saber que a gente ancorou e eu não sei mais
hoje o que é barco e o que é cais
É difícil saber que o mundo ancorou e eu não sei mais
hoje o que é mundo e o que é cais

Ithalo Furtado

Café?

Vamos sair do mundo um tanto
deixa melhorar que a gente volta
Vai ver, nunca aconteça
mas, vai entender a cabeça daqueles que sonham

É como ver além do mar

Vamos pela porta dos fundos
que haja silêncio e desatenção
que ninguém compreenda a nossa fuga
apenas entendam que há tanta lágrima por aqui

É como ser o próprio mar…

Há tanta gente tão só
procurando se achar no retrovisor
Como se a vida fosse um velho filme francês
Há tanta gente a se procurar
mas, o mundo é ébrio nas paixões
Como se a vida fosse um best-seller doce

Café?

Ithalo Furtado

Sweet Vintage

Deixa todo mundo ir embora
não quero ver ninguém
fecha essa porta
tenho tudo o que preciso aqui dentro
vinho, filmes baratos, uma dose de canção
e uma foto antiga de meus pais no interior

Deixa tudo passar, as notícias, os postais
deixa a vida ficar por conta
Hoje vou me permitir inventar
um lugar mais bonito pra morar
até o dia terminar
uma cabana, um sofá
um país dentro do quarto
Sei que embaixo dos lençóis
há um mundo todo meu

Chega de tristeza, de estimas destroçadas
chega de mentira e de TV
Há mel e veneno em cada poesia
deixa o mundo de lado um tanto
fica por cima da carne seca
há muito o que se aprender com o silêncio

Ithalo Furtado

Depois de tudo

Depois de tudo
Vou regar meu pequeno mundo de carinho
Depois de tudo
Não vou mais planejar os próximos passos
Depois de tudo
Vou cuidar da poeira, dar descanso ao coração

Só se sabe que foi perfeito
depois da perfeição

Depois de tudo
Café, conhaque ou qualquer vício da distinção
Depois de tudo
Sobrou a música como mãe de toda contemplação
Depois de tudo
Vou respirar novos ares nos lugares que sempre vou

E eu sempre vôo…

Eu tenho a saudade mais bonita
A lembrança mais fiel
E olha que você nem me fazia bem
Eu tenho tatuado em minha boca
A promessa que os teus olhos me fizeram
E olha que você mal me fazia bem

Depois de tudo
Eu sou manjá, veneno, Luiz Gonzaga e John Lennon
Eu sou bem mais
Depois que o mundo
Se tornou um romance de opostos
E o mal por vezes, triunfou

Ithalo Furtado

Corações alheios

Não acorde daquele sonho lindo
por favor, mantenha ele vivo
mesmo de olhos abertos
mesmo certa de que nada aconteceu

Hoje é dia para abrir a janela e suspirar
pegar o carro, colocar Radiohead pra tocar
e rodar a noite inteira sozinha
Quem sabe eu fixe um plano de fuga só pra nós

Peça a bênção pra lua
peça a seus problemas um tempo
É preciso juntar os pedaços
a cicatriz foi profunda, eu te entendo

Assim como é necessário chorar
sem ouvir os corações alheios
Lágrimas te fazem tão bem
E há tanta gente ao teu redor com medo

A lua, o carro, a praia e nós dois a sós
Só pra nós
O mundo é nosso quando a luz se apaga e se desatam nós
Só pra nós
A vida se clama nos corpos quando o beijo anula a voz

Ithalo Furtado

Outro mar, novas ondas

Sinto falta das pessoas que não gostam de mim, essa é minha saudade mais verdadeira.

Sinto a dor das pessoas que não conheço, essa é minha compaixão mais verdadeira.

Sinto alegria quando recebo um sorriso, esse é meu retorno mais verdadeiro.

E quando te vejo? Eu sinto medo. E quando eu não te vejo?  Eu sinto mais medo ainda, pois esse é meu silencio mais verdadeiro.

Essa vontade deixou de ser saudade, e o calor cresceu meu frio. E tua presença trouxe o medo, que hoje aflora meu desapego. E o que era flor virou um bicho, mais esqueleto que andar.

É o sol vindo mais forte, fazendo aquele amor(dor) secar. Agora posso me embrulhar e ver meu peito descansar, na minha alma renovada e minha armadura mais listrada.

Se é o fim então porvir caminharei a outro mar para as novas ondas me trazerem um outro alguém para amar.

@Digi_Nanda