Oitentaecinco

Faz de conta que nasci agora e não sei do que o mundo é capaz
Se eu fosse o rei de todas as coisas, elas seriam lindas demais

Faz de conta que nasci do vento de todo absurdo
Que nasci da mágica de um encanto surdo
Que a gente é tudo o que nasceu pra ser

Faz do nosso conto uma verdade que ninguém contou
Se eu fosse a primavera, em nenhum outono morreria flor

Faz do nosso conto um absurdo lindo
E do absurdo um verso indescritível
Que só a gente nasceu pra escrever

Faz de nós um canto, uma voz branda que a tudo ensurdece
Se eu fosse a dura lenha, é só teu fogo que me anoitece

Um dia tudo vai me aquecer
Mas, faz de conta que é você quem faz
O meu coração confundir incêndio com amor demais

Prepare seu campo minado, pra que você, um dia
atravesse sem medo e, como nós, imune a minas

Ainda somos aqueles que sambam
Mesmo quando tudo está tão ruim
Se eu fosse o tempo das coisas bonitas, nada mais teria fim…

Ithalo Furtado

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2 opiniões sobre “Oitentaecinco”

  1. Incrível, me impressiona quando leio algo, e esse algo se forma solido em minha cabeça, e você parece fazer isso com tamanha naturalidade que me impressiona, são sentimentos que muito sentes, mas poucos tem o dom de dize-las ou melhor decifra-las ou traduzi-las. Parabéns Italo, cada vez fico mais admirada com vc

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