Os 20 objetivos de um sonhador

Depois do último fogo de artifício, da última taça de vinho, as promessas de reciclagem e esperança. Instantaneamente, crio uma lixeira imaginária para colocar todos os erros, rancores e fraquezas do ano anterior. Eu poderia ter feito isso em outubro ou novembro, mas, esperar até o fim do ano é uma tradição inerente de todo ser humano que possui todos os cisos.

“Que tudo se realize no ano que vai nascer”. Ouvir isso é como andar por uma ponte de lã e esperar que ela aguente o peso de nossa própria alma. Os primeiros dias precisam ser maravilhosos. Nada pode dar errado entre 1 e 10 de janeiro. Não pode chover no dia 3, ninguém pode morrer no dia 8. E é assim, brincando de ser Deus, que a gente trilha os primeiros passos de nossa nova vida temporal.

Agora parece ser a hora exata para o tempo fechar e começar a chover interrogações. Convencionou-se recomeçar a partir daquela tal meia-noite, então, vamos la: perdoe, reveja, relembre, renasça. Sentiu-se melhor esperando esse tempo todo para subtrair de seu mundo as coisas que não te encantam? Incrível é uma rolha de Champagne voar a ponto de conseguir dividir sua vida.

A gente amadurece e a maturidade nos traz uma sensação vazia de apoteose. Basta olhar para dentro de nós quando aconselhamos alguém. Basta olhar para fora de casa e enxergar nossos carros na garagem. Triste realidade: Não somos mais feitos de sonhos.

Por falar em sonhos, ontem encontrei um antigo caderno. Por entres páginas arrancandas e outras sofridas, havia uma com as seguintes anotações:

Os 20 objetivos de um sonhador:

  1. Conhecer o mundo inteiro do meu quarto;
  2. Abrir uma loja de doces;
  3. Comprar a discografia do Montenegro;
  4. Trocar menos palavras e mais olhares;
  5. Dar mais atenção ao que me silencia e me faz perder o fôlego.

Havia mais 15 coisas, em todas passadas um traço. Onde será que perdi todos esses outros sonhos?

Meu prelúdio de vida nova veio repleto de incongruências e trilhas montanhosas, estou em pé de guerra com meu infinito. Ainda não vi nada dos sorrisos que a tv nos injeta dezembro a fora. Meus sonhos estão dormentes e meus planos ainda parecem absurdos. A temporal vida passada não me parece um barco em pleno naufrágio, já que os mares que atravessei permanecem iguais. Continuo com os mesmos medos, com as mesmas dúvidas e a  com a mesma vontade de driblar o inevitável.

Meus cortes não fecharam e outros já se abriram em menos de uma semana depois do último fogo de artíficio, da última taça de vinho.

Ithalo Furtado

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