Um novo mundo atrás da porta

Eu te amo. Eu já volto.
Vou lá fora forjar uma fuga
Cadê meus sapatos?
Cadê teus palpites?
Cadê a verve que um dia
eu chamei de poesia?

Eu te amo. Eu não volto.
Fui lá fora e me apaixonei pela chuva
Cadê teu sereno?
Tuas gotas pequenas
são breves invernos
são breves eternos

Como posso calar
diante dessa falta tanta?
Há tantos sonhos escondidos
em tantos corpos vencidos sobre a cama

Como posso falar
diante desse carnaval de certezas?
Há tantas razões escondidas
em tantas vozes reprimidas pela delicadeza

Eu te amo. Eu já volto
Vou amar como quem compõe uma música
Cadê tua pureza?
Cadê tua imensidão?
Só me mostras a incerteza
dos próprios pontos de interrogação

Eu te amo. Eu não volto
Vou voar como quem ouve uma música
Cadê tuas asas?
Cadê tua infância?
Só me mostras a beleza
que já não tem mais importância

E onde será que vivem os sonhos
de quem desistiu de sonhar?
Onde é que repousa o amor
dos que tem ódio no olhar?
Em um novo mundo atrás da porta
ou na velha porta a se fechar
Talvez nos velhos mundos do coração
No universo que não rimará

Ithalo Furtado

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Uma consideração sobre “Um novo mundo atrás da porta”

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