A Última Lágrima

Primeiro, só a casa era vazia
Depois fui eu quem ficou repleto de nada
Foi quando a mala sangrou tua mão
e a dobradiça da porta rangeu qual trovão

Agora há pratos sujos e quem se importa?
Só ontem lembrei de apagar a luz daquele quarto
Na caneta, aquela tinta que não se apaga
escreveu por toda a casa a palavra perdão

E uma lágrima apagou
as palavras do chão

Primeiro, só a cidade era vazia
Agora sou eu quem chove por dentro
Como um velho que brinca de ainda ser
talhei no meu cílio o que restou pra viver

Agora há panos limpos embaixo da porta
E a conta da vida veio mais cara esse mês
Na caneta, aquela tinta que nunca se apaga
desenhou no meu peito o caminho que fez

Aquela última lágrima  
que te dei

. Ithalo Furtado

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Uma consideração sobre “A Última Lágrima”

  1. Ithalo,

    Parabéns pelas suas inspirações e aspirações poéticas. Este poema por exemplo, é visceral, orgânico, tem vida própria, pode ser música, pode ser prosa, mas é essencialmente arte.

    Saudações poéticas,

    Marcos Leonidio
    twitter.com/curtapoesia

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