Luz baixa

Eu te amo com uma breve certeza de engano, com uma leve e infinita culpa. Te amo como se amar fosse desumano, como se prender fosse uma saída. Te amo como se houvesse um labirinto entre a voz e o coração, como se não existisse mapa pra guiar nossas dúvidas quando o próprio senso anoitece. Te amo com a inoperância dos conformados, com a lágrima dos que não se permitem, com a inocência dos que não usam máscaras. É triste, mas, eu te amo como se cada parte do meu corpo fosse feito lâmina, como se todo telefonema fosse o último, como se nossas feridas não explodissem em desatino.

E você, com esse sorriso, com esse silêncio, me ama exatamente ao contrário.

Você me ama com um brilho desigual, como se nada no universo brilhasse tão intensamente. Você me ama a ponto de abdicar do seu dia para me oferecer, em cinco minutos, toda a eternidade. Você me ama com a exatidão clara das nuvens, com a magnitude de todas as estrelas, com o vazio e com a imensidão. Você me ama com todas as forças que te restam depois de uma noite ruim, me ama de um jeito tão simples que é impossível não ser maravilhoso.

A simplicidade que me inunda de forças quando o mundo é pesado demais pra se carregar sozinho. A simplicidade que me agarro, todos os dias, na luz baixa do meu caos.

 

. Ithalo Furtado

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s