Outros olhos

Quando adquiri meus novos olhos
Tudo ao meu redor se destruiu
E no instante em que pensei que também seria extinto
Eu vi diante dos meus novos olhos um mundo novo surgir

As pessoas, tão loucas com suas máscaras e vícios
Pareciam anjos em lua de mel com suas novas perspectivas
Em seus cérebros os chips da igualdade que antes as consumiam
Foram se desfazendo em pedacinhos de virtudes próprias
E todos puderam ver a luz do novo mundo que surgia
Sem cigarros, sem búzios, sem band-aids
Um mundo, antes consumista, agora consumado
Como filho de um sentimento, de um pensamento unificado

E todas as crianças, cansadas de tanta vergonha de sentir
Abraçavam seus pais como a noite abraça o céu depois das seis
E todos os vizinhos, fartos de seus julgamentos precipitados
Davam-se conta do quanto são sujas essas palavras mudas que não vem do coração

E o fim de tarde, expoente da manhã, gênesis da noite
Se tornou eterno como o baile dos Tetra Néons
Que em seu amor indecifrável silenciam esse ar pesado
Como filhos do mesmo objetivo, como objetivos do mesmo inimigo inalcançável

Quando adquiri meus novos olhos, meus novos braços
Quando renovei meu coração, meus novos lábios
que filtravam todas as palavras que por eles passavam
Tudo se tornou intenso e constante
A chuva se tornou sereno e a eternidade, um instante

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