A Estação do Delírio

Reguei as plantas que faltavam
Castiguei-me uma última vez por qualquer ausência
Escrevi sobre o amanhã para o meu filho que dormia
Preparei o café como quem prepara o peito para alguma espada
Pintei quadros com a cor do silêncio
Destilei perdão às fotos de borda judiada
Dei afeto ao cão e arranhei-me
A janela entreaberta me trouxe um punhado de vento
Lembrei do medo que tinha do escuro
Amanheci por dentro

Esqueci meu nome
Desbotei meu sonho
Perdi-me da luz
Embarquei no delírio

Cansei do mundo

. Ithalo Furtado

Anúncios

Uma consideração sobre “A Estação do Delírio”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s